Cesar Callegari diz que falta de estrutura trava educação à distância em Carapicuíba

O sociólogo César Callegari

Em debate virtual realizado em live na página de Sergio Ribeiro, no Facebook, o sociólogo e consultor educacional, ressaltou que o município vivencia problemas inerentes ao “século retrasado” e se depara com as “demandas do século XXI, em plena pandemia”.

“De uma hora para outra as pessoas passaram a ficar em casa com suas crianças, tendo de ajudá-las nas tarefas escolares. Só aí descobriram o quanto o professor é importante na rotina educacional de seus filhos. Esperemos que quando passar tudo isso os educadores recebam da sociedade, o valor que merecem ter”.

Foi com observações como essa que o sociólogo e consultor educacional, Cesar Callegari, participou de uma live em que o tema principal foi a educação em tempos de pandemia e os problemas que milhares de estudantes da rede pública municipal têm enfrentado para conseguir acompanhar as aulas on-line.

O bate-papo foi organizado pelo também sociólogo e ex-prefeito de Carapicuíba Sergio Ribeiro e teve, a participação da vereadora professora Aparecida Carlos, ex-secretária de educação da cidade.

Falta de estrutura na educação

Sergio Ribeiro

Sergio Ribeiro destacou que a pandemia expôs as desigualdades sociais que existem, não apenas entre os alunos, mas também entre os professores.

“Enquanto alguns têm acesso a ferramentas que lhes permitem acompanhar os estudos à distância, como computador, notebook e internet de qualidade via banda larga, outros só contam com um celular (de modelo ultrapassado) para fazer isso e com internet via conta pré-paga”, ressaltou. Sergio relatou que em muitos casos, “o aluno sequer possui um celular ou tem um de modelo já ultrapassado e, portanto, com funcionalidades precárias, e ‘pega emprestado'” o sinal de internet, de vizinhos ou de estabelecimentos comerciais”.

Cida Carlos alertou que” essa é uma dura realidade que não pode ser ignorada pelos governantes” e disse que se antes a desigualdade social já causava danos ao processo educacional de milhares de crianças e jovens, “agora então, com o isolamento social essa diferença se tornou gritante”.

Na opinião de Cesar Callegari, assim como em todo o mundo, o país vive uma crise da qual não sairá tão cedo. “Vivemos uma crise que não será resolvida em setembro, outubro ou muito menos quando descobrirem uma vacina. “Estamos acumulando problemas no mundo do trabalho e na economia, por exemplo, que terão de ser enfrentados ao longo de muitos anos. Ou seja, “haverá reflexos severos lá na frente e isso se aplica também à educação”, acredita.

Século passado

O sociólogo prevê mudanças nessa área. “Muitos acham que a tecnologia poderá resolver todos os problemas. Será necessário ressignificar a educação das crianças e dos jovens para que a própria escola seja um local de práticas, descobertas, de trabalho colaborativo e autoral. Não mais com aquela visão do século XIX, de ser um equipamento apenas transmissor de conhecimento”. opina.

Callegari ainda comentou que também os professores tenderão a rever sua metodologia de trabalho e criarão novas possibilidades educacionais. “Estamos diante do início de uma mudança que deverá ser estrutural em todo o Brasil”.

O sociólogo diz estar preocupado com a situação de Carapicuíba. “Preocupa o fato de esta cidade, que vive no século passado em termos estruturais na educação, agora se depara com as demandas do século XXI, em plena pandemia. Nem todas as escolas possuem a infraestrutura necessária, nem todas as crianças possuem os meios necessários para acompanhar as aulas em casa. Enfim, é um grande desafio”, pontuou.

Crianças e professores sem estrutura

A maioria dos estudantes de escolas públicas não têm computador ou tablet.

Veja a seguir outros trechos dos comentários de César Callegari sobre a situação da educação, principalmente, em Carapicuíba.

“Olhando para o que está acontecendo neste momento. No município de Carapicuíba são 20 mil crianças em escolas municipais. Podemos avaliar que existem pelo menos 15 mil famílias em que as crianças estão sentindo falta de seus professores e os pais estão desesperados, pois não conseguem criar um ambiente educacional em seus lares. O que realmente não é fácil. Esse é o papel dos professores. Há um processo traumático que está envolvendo essa meninada.

É muito importante que os professores tentem fazer um contato com as famílias de seus alunos, mesmo que seja por telefone, para manterem o vínculo com os estudantes. Basta um simples contato para que a criança ou jovem sinta que seu professor está lá e está preocupado com o ensino dele.

É claro que há iniciativas de contato pela internet, por meio de lives ou videoaulas, mas deve-se considerar que nem todos os alunos dispõem desses recursos. O que é uma pena, todos deveriam ter acesso a equipamentos que os mantivessem conectados.

Por outro lado, os professores também precisam de cuidado, pois também estão isolados em casa e não mais na convivência diária com outros colegas e supervisores de educação. É muito importante e necessário que a Secretaria de Educação de Carapicuíba desenvolva não apenas atividades de formação para os educadores, mas também de conexão entre eles e com a própria secretaria. São seres humanos, e da maior importância neste momento. Precisam, portanto, de acolhimento”, explanou o sociólogo.

Conexão e materiais para os que necessitam

Vereadora Professora Aparecida Carlos

A professora Aparecida Carlos ressaltou que uma proposta para que o poder público municipal providencie para crianças e professores carentes, conexão de internet e equipamento adequado, que possibilite o ensino a distância, foi entregue à Prefeitura. “Fizemos as contas e é possível que a Administração forneça esses materiais”, garantiu.

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A falta de conexão de internet é outro grave problema.

Sergio Ribeiro chamou a atenção para a precariedade dos sinais de internet na região e afirmou que nas periferias é ainda pior. Ele citou como exemplo o bairro Vila Gustavo Correia, em que reside em Carapicuíba. “Aqui não existe fibra ótica em nenhum local e é um desafio para qualquer pessoa que precise trabalhar ou estudar em casa”, afirma. “A internet é discada e estamos a poucos minutos do centro do município. Em nossa gestão distribuímos um tablet para cada professor. Muitas pessoas carentes precisam chegar em uma padaria ou outro ponto comercial e pedir a senha do Wi-Fi para poderem se conectar com alguém”.

Clique no link abaixo e veja o vídeo completo da live

Posted by Sergio Ribeiro on Friday, June 26, 2020
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